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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo

Receita de Ano Novo

(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido

(mal vivido ou talvez sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto da esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.



De toda forma, sem desmerecer o grande Poeta, desejo que a alegria estampada no rosto dessa galerinha - que não faz planos e vive a vida sem sofrer pelo que amanhã virá - lhe inspire para um 2011 de Paz, realizações e grandes alegrias...




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Saudades da Tua Presença - carta para Têca

Oi Tê!
Queria mesmo estar escrevendo para você...
Quando a gente escreve para alguém que já se foi, na verdade escrevemos para a nossa própria lembrança, para matar a saudade, alimentar a alma...
Por falar em saudades... Que saudades da tua presença... Você era uma pessoa tão agradável e parecia muitas vezes tão cheia de alegria.
Não pude lhe dar um beijo de despedida e nem sentir tua pele ainda quente pela última vez... Nossa, lá se foram 4 anos (18/11/2006)!
Pena que você não se deu tempo para conhecer o Thiago e acho que iria gostar muito dele! haha É uma figurinha!
Mas também não está podendo ver como o Pedro e o Dudu estão dois adolescentes lindos! Dignos de gritinhos e suspiros de menininhas apaixonadas... aiai rsrs
A Carol e o Gui crescem duas crianças cheias de energia, curiosas, lindas!
Não podemos ficar chorando pelo pela perda a vida toda né, no entanto podemos ter saudades...
Hoje lembrei do dia que recebi a triste notícia da sua morte... E me peguei lendo sua dedicatória na "Obra Completa" de Castro Alves que me presenteou... Fico feliz sempre que leio... Fica aqui na minha mesa de trabalho, veja o que você escreveu:


Beijos e Saudades,

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A música e o tempo...

Definitivamente meu gosto musical passa pela música popular brasileira e pelo rock nacional. Os clássicos do rock internacional são muito bem vindos, além da música celta e, claro, do blues!

Estava pensando em como as novas gerações carecem de qualidade musical e em como tudo hoje depende do que a “moda” dita. Não consigo conceber as “Lady Gaga da vida”. Compreendo que o “tempo não pára” e precisamos estar abertos ao novo.


Como não é do novo que pretendo falar - no momento - e estou com uma baita saudade das coisas “do meu tempo”, ou melhor, “dos bons tempos”, irei postar a letra de uma música que me traz boas lembranças e, nesse caso, é brasileira.





Relicário
Cássia Eller
Composição: Nando Reis

É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?
O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou
E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou
O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor
Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite
Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for
Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou
O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô...
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor
O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?
...está fazendo assim?
Desde que você chegou
O meu coração se abriu,
Hoje eu sinto mais calor
E não sinto nem mais frio,
E o que os olhos não vêm
O coração pressente,
Mesmo na saudade
Você não está ausente
E em cada beijo seu
E em cada estrela do céu
E em cada flor no campo
E em cada letra no papel
Que cor terão seus olhos
E a luz dos seu cabelo
Só sei que vou chamá-lo
De Esmael, Esmael...