Faz algum tempo que penso que deveria postar minha opinião sobre o quanto a profissão de Contador se tornou múltipla e complexa. Essa necessidade ocorre porque percebo que as pessoas não compreendem muito porque trabalhamos tanto.
Todos os dias nós profissionais das áreas de gestão, contábil, fiscal e de departamento pessoal, quase todos contabilistas, nos vemos pressionados por dezenas de responsabilidades que se multiplicam a cada publicação ou alteração de Lei, mudança de regras e burocracia desnecessária despejadas das esferas municipal, estadual e federal.
É óbvio que precisamos de Leis, regras, etc..., para exercermos com responsabilidade e de forma eficaz nossa função. Ocorre que o gestor público que elabora as regras para a operacionalização da Lei, ou seja, para colocá-la em prática, não percebe o quanto dificulta a vida do contribuinte, quando determina que deve entregar dezenas de obrigações acessórias... E são tantas as siglas... DACON, DCTF, DIPJ, FCONT, DIRF, GFIP, CAGED, RAIS... Isso para quase todas as personalidades jurídicas... Mas tem ainda as situações específicas, tais como: DAS, DASN, SIMPLES NACIONAL, DES, GIA, DMED... Isso sem falar nas obrigações das entidades sem fins lucrativos, também específicas, por atividade, tais como: SICAP, SICONV, CNEs... Com certeza esqueci algumas.
Nessa “levada” trabalhamos observando as obrigações acessórias se multiplicarem e nos vemos tendo que cumprir prazos cada vez mais curtos. Conseguir administrar tudo isso com responsabilidade, equilíbrio, espírito de equipe e tempo se tornou uma maratona... Os escritórios de contabilidade precisam de um batalhão de pessoas muito bem preparadas para cumprir tudo sem causar prejuízo ao cliente. Paralelo a isso a mensalidade que o cliente paga ao escritório não pode mais se basear no salário mínimo ou num piso qualquer pré-estabelecido, porque passa a depender de muitos novos fatores. Além disso, passa a ser necessário prever possíveis alterações, por força maior.
O profissional contábil para ser completo precisa de Graduação, Pós-Graduação, atualização constante, cursos e mais cursos e muita, mas muita experiência e paciência. São centenas de detalhes, interpretações, cálculos infindáveis, etc..., etc....
Somos de carne, osso, comemos, necessitamos de água, tomamos banho, temos filhos, família... O fato é que muitas vezes tudo isso passa a ser secundário devido a tantas tarefas e prazos infindáveis. Férias é uma palavra muitas vezes riscada do vocabulário desse profissional. Pergunte a um Contador quando foi a última vez que tirou férias... Mas falo férias de verdade, com 30 dias de descanso.
O gestor governamental deveria simplificar tudo isso. Conheço profissionais Contadores extremamente responsáveis que construíram propostas muito interessantes para minimizar o volume de obrigações acessórias, sem interferir nas respostas que o governo necessita para cobrar seus impostos, garantir que as empresas tornem suas informações mais transparentes, etc... Infelizmente o eco dessas vozes ainda não chega onde deveria chegar.
Cuide-se bem! Perigos há por toda a parte e é bem delicado viver de uma forma ou de outra, é uma arte, como tudo... Cuide-se bem! Tem mil surpresas a espreita, em cada esquina mal iluminada, em cada rua estreita do mundo... Prá nunca perder esse riso largo e essa simpatia estampada no rosto... Cuide-se bem! Eu quero te ver com saúde e sempre de bom humor e de boa vontade, e de boa vontade com tudo... Música e Letra: Guilherme Arantes - "Cuide-se Bem" - Foto: Rita Polli "Mão do Thiago".
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Puxa que bom ter encontrado um blog, onde há uma postagem tão inteligente com relação a nossa profissão. Realmente como é difícil o nosso trabalho e sem dizer pouco reconhecida. Só lembram desses profissionais na hora de fazerem o imposto de renda.Mas gostei muito e sempre que possível, estarei dando uma passadinha para ler suas postagens
ResponderExcluirUm Grande abraço
Sara
Olá Sara!
ResponderExcluirObrigada pelo seu comentário!
Que bom que tem mais profissionais reforçando essa necessidade. Somente nós no dia a dia sabemos o quanto é difícil cumprir tantas cobranças.
Abraços,
Ana Polli