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domingo, 12 de junho de 2011

A realidade de uma profissão de bastidores.

Faz algum tempo que penso que deveria postar minha opinião sobre o quanto a profissão de Contador se tornou múltipla e complexa. Essa necessidade ocorre porque percebo que as pessoas não compreendem muito porque trabalhamos tanto.

Todos os dias nós profissionais das áreas de gestão, contábil, fiscal e de departamento pessoal, quase todos contabilistas, nos vemos pressionados por dezenas de responsabilidades que se multiplicam a cada publicação ou alteração de Lei, mudança de regras e burocracia desnecessária despejadas das esferas municipal, estadual e federal.

É óbvio que precisamos de Leis, regras, etc..., para exercermos com responsabilidade e de forma eficaz nossa função. Ocorre que o gestor público que elabora as regras para a operacionalização da Lei, ou seja, para colocá-la em prática, não percebe o quanto dificulta a vida do contribuinte, quando determina que deve entregar dezenas de obrigações acessórias... E são tantas as siglas... DACON, DCTF, DIPJ, FCONT, DIRF, GFIP, CAGED, RAIS... Isso para quase todas as personalidades jurídicas... Mas tem ainda as situações específicas, tais como: DAS, DASN, SIMPLES NACIONAL, DES, GIA, DMED... Isso sem falar nas obrigações das entidades sem fins lucrativos, também específicas, por atividade, tais como: SICAP, SICONV, CNEs... Com certeza esqueci algumas.

Nessa “levada” trabalhamos observando as obrigações acessórias se multiplicarem e nos vemos tendo que cumprir prazos cada vez mais curtos. Conseguir administrar tudo isso com responsabilidade, equilíbrio, espírito de equipe e tempo se tornou uma maratona... Os escritórios de contabilidade precisam de um batalhão de pessoas muito bem preparadas para cumprir tudo sem causar prejuízo ao cliente. Paralelo a isso a mensalidade que o cliente paga ao escritório não pode mais se basear no salário mínimo ou num piso qualquer pré-estabelecido, porque passa a depender de muitos novos fatores. Além disso, passa a ser necessário prever possíveis alterações, por força maior.

O profissional contábil para ser completo precisa de Graduação, Pós-Graduação, atualização constante, cursos e mais cursos e muita, mas muita experiência e paciência. São centenas de detalhes, interpretações, cálculos infindáveis, etc..., etc....
Somos de carne, osso, comemos, necessitamos de água, tomamos banho, temos filhos, família... O fato é que muitas vezes tudo isso passa a ser secundário devido a tantas tarefas e prazos infindáveis. Férias é uma palavra muitas vezes riscada do vocabulário desse profissional. Pergunte a um Contador quando foi a última vez que tirou férias... Mas falo férias de verdade, com 30 dias de descanso.

O gestor governamental deveria simplificar tudo isso. Conheço profissionais Contadores extremamente responsáveis que construíram propostas muito interessantes para minimizar o volume de obrigações acessórias, sem interferir nas respostas que o governo necessita para cobrar seus impostos, garantir que as empresas tornem suas informações mais transparentes, etc... Infelizmente o eco dessas vozes ainda não chega onde deveria chegar.

2 comentários:

  1. Puxa que bom ter encontrado um blog, onde há uma postagem tão inteligente com relação a nossa profissão. Realmente como é difícil o nosso trabalho e sem dizer pouco reconhecida. Só lembram desses profissionais na hora de fazerem o imposto de renda.Mas gostei muito e sempre que possível, estarei dando uma passadinha para ler suas postagens

    Um Grande abraço

    Sara

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  2. Olá Sara!
    Obrigada pelo seu comentário!
    Que bom que tem mais profissionais reforçando essa necessidade. Somente nós no dia a dia sabemos o quanto é difícil cumprir tantas cobranças.
    Abraços,
    Ana Polli

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